14-01-2010
Fariman do engenho a indústria
A empresa Salézio Delfino e Cia Ltda, surgiu em 1987, mas a sua origem vem desde a época em que a família Delfino trabalhava na lavoura de mandioca e na fabricação da farinha. A fabricação da farinha se dava através do trabalho realizado nos antigos engenhos movido a tração animal. Em 1987 Salézio Delfino viu a oportunidade de montar uma empresa que viesse a beneficiar a farinha expandindo assim, os negócios e nascendo a indústria Fariman.
A empresa que está situada na comunidade de Olho D’água emprega hoje 22 funcionários. O setor administrativo fica por conta da família Delfino. “A nossa empresa é familiar, a minha esposa, Delair e a minha filha Débora estão sempre junto na parte administrativa”, ressalta Salézio.
A empresa hoje industrializa diversos tipos de farinha de mandioca, comercializa ainda produtos derivados da mandioca como o polvilho azedo e doce e o sagu e também produtos em grãos como feijão e milho.
Durante todos esses anos trabalhando com o cultivo da mandioca Salézio percebe que aos poucos os produtores de mandioca estão mudando de cultura. “A mandioca sempre teve altos e baixos, mas hoje se percebe que o agricultor que planta a mandioca está deixando, e procurando outras atividades dentro da agricultura, aqui mesmo em nossa comunidade, alguns estão migrando para as lavouras de fumo”.
A causa dessa migração para outras culturas se dá pelo baixo preço da comercialização da farinha, atualmente uma saca de 50 quilos está sendo comercializada no valor de R$ 28,00. “A gente sabe que é complicado para o agricultor, e também fica é para nós que beneficiamos a farinha, o preço baixo afeta a todos”.
A história da mandioca é conhecida pela sua instabilidade e isso não é fruto apenas dos dias atuais. “Eu me lembro de meu pai contar quando eu era guri, que teve anos de produzirem a farinha e não terem para quem comercializar, de perderem toda a safra”, relembra o empresário.
Apesar dos problemas enfrentados pelos agricultores da mandioca, Salézio acredita que para se conquistar algo na agricultura é necessário persistência. “Muitos, quando o preço está ruim correm para outro tipo de agricultura e quando a mandioca está com bom preço, voltam. Essas pessoas não chegam a lugar algum, mas aqueles que se mantiveram firme, esses sim, colheram bons frutos”.
Matéria publicada no Jornal Folha Regional